O câncer de estomago, também conhecido como câncer gástrico representa o quarto lugar em neoplasias no Brasil e corresponde a uma das principais causas de mortalidade no mundo.
Sua incidência varia em diferentes lugares do mundo sendo mais comum em países do Oriente como Japão e da América Latina com Chile, e mais raros em países do Ocidente como EUA. Ocorre mais comumente em homens e geralmente aos 50 anos de idade.
Existem diversos tipos de tumores de estomago, mas o mais comum é o adenocarcinoma em mais de 95% dos casos.
Existem diversos fatores de risco associados ao câncer gástrico, porem a dieta tem se mostrado a mais importante. Uma dieta rica em alimentos salgados, defumados,em conserva e mal preservado aumenta o risco. Já dietas ricas em vegetais, vitamina C e antioxidantes parece ser protetora.
Outros fatores importantes que podem aumentar o risco são o tabagismo e infecção pela bactéria Helycobacter pylori.
O câncer gástrico não costuma apresenar sintomas específicos. A maioria dos sintomas aparecem nas fases mais avançadas como emagrecimento, massa abdominal dolorosa e sangramento intestinal.
No início da doença podem aparecer sintomas semelhantes aos de uma gastrite com sensação de queimação na parte superior do abdome relacionado a alimentação, azia e náuseas. Nesta fase, a Endoscopia Digestiva Alta é o exame que pode identificar o tumor ainda em fase inicial, aumentando as chances de cura.
A Endoscopia Digestiva Alta é o principal exame para diagnóstico de câncer gástrico. Deva ser realizada em todos pacientes acima de 45 anos com sintomas de gastrite persistente e nos pacientes mais jovens que também apresentam esses sintomas, mas não apresentam melhora satisfatória com tratamento clínico. Todos pacientes com quadro de gastrite apresentando sintomas atípicos como refluxo, dificuldade para engolir, icterícia entre outros devem realizae Endoscopia independente da idade.
Através deste exame , o endoscopista avalia toda mucosa gástrica e retira fragmentos de lesões suspeitas para biópsia.
Os pacientes com diagnóstico de câncer gástrico devem realizar tomografia de abdome e algumas vezes laparoscopia diagnóstica para realizar o que chamamos de estadiamento pré-operatório, ou seja, definir o quão avançado esta a doença para definir o planejamento cirúrgico.
A única chance de cura é a retirada do tumor com gânglios linfáticos adjacentes. Geralmente é ressecado todo estômago ou parte dele dependendo do local em que esta o tumor. Tradicionamente a cirurgia é realizada através de uma incisão abominal longitudinal de aproximadamente 20 cm, mas com novas técnicas pode ser reduzida a poucos orifícios de 1 cm.
Infelizmente a quimioterapia traz muito pouco benefício para a doença. Mesmo assim a cada dia surgem novos estudos com novos esquemas e medicamentos. A imunoquimioterapia, um novo tratamento específico que age contra proteínas exclusivas do tumor, tem sido uma nova abordagem terapêutica.
Nos últimos anos com o avanço da cirurgia videolaparoscópia tem permitido que realizemos este tipo de cirurgia com pequenas incisões entre 0,5 e 1,5 cm com retirada do tumor através de uma incisão próximo a pube semelhante a de uma cesárea porém ainda menor. As vantagens desse tipo de procedimento são: menor dor após cirurgia, menor risco de sangramento, melhor aparência estética e alta precoce.
Ainda mais recente temos realizado acesso laparoscópico associado a cirurgia robótica, permitindo movimentos ainda mais refinados e visão tridimensional do campo cirúrgico tornando o procedimento ainda mais refinado e seguro.
Em nosso país ainda são muito poucos os serviços que realizam cirurgia robótica, porém em países como Estados Unidos já são mais de 1000 aparelhos deste tipo em funcionamento.
Graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, com mestrado e doutorado em Ciências Médicas pelo Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, Dr. Vladimir Schraibman é especialista em cirurgia geral, gastrocirurgia e orientador de Cirurgias Robóticas da área de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein (Proctor Intuitive Robotic System) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Videolaparoscópica (Sobracil). É médico colaborador do Setor de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo, além de integrar o corpo clínico do Hospital Albert Einstein. Tem diversos artigos publicados em revistas e jornais científicos do Brasil e do exterior, além de intensa participação em congressos nacionais e internacionais.
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